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Reflexo de Gordon: O que ele Indica ?

por Guilherme Cunha

INTRODUÇÃO

O reflexo de Gordon também foi chamado de “reflexo flexor paradoxal” quando o Dr. Alfred Gordon demonstrou pela primeira vez o reflexo em 1904 na Philadelphia Neurological Society. O reflexo é um sinal clínico que pode ser facilmente eliciado sem o uso de qualquer equipamento. O reflexo de Gordon descreve uma resposta plantar extensora quando a panturrilha é comprimida. O reflexo de Gordon é muito simples de se elicitar e pode ser útil na determinação da localização de lesões no sistema nervoso central.

O sinal clínico é usado para determinar se existe uma lesão do trato piramidal. O reflexo de Gordon está intimamente associado aos reflexos Babinski, Chaddock e Oppenheim (Sucedâneos). O reflexo de Gordon pode ser usado quando um paciente não é cooperativo ao eliciar o reflexo de Babinski ou em pacientes com face plantar muito sensível.

ANATOMIA E FISIOPATOLOGIA

O reflexo de Gordon é eliciado apertando o músculo da panturrilha. A panturrilha é composta principalmente pelos músculos gastrocnêmio e sóleo, que se unem para formar o tendão de Aquiles. Ambos os músculos ajudam na flexão plantar. Um reflexo segmentar local envolve todos os músculos flexores da perna e do pé (sinergia de flexão). Quando há uma lesão no sistema piramidal, a resposta segmentar descendente desaparece, e a sinergia de flexão pode fica comprometida. Isso acaba levando aos reflexos de Gordon, Babinski, Chaddock e Oppenheim.

Os sucedâneos do reflexo de Babinski: Você conhecia todos ?

IMPORTÂNCIA CLÍNICA 

O reflexo de Gordon pode ser usado como complemento do exame neurológico. É particularmente útil no diagnóstico de lesões do trato piramidal. O teste pode ser feito junto com o reflexo de Babinski, mas é extremamente útil nos casos em que o reflexo Babinski não pode ser concluído devido à fraca cooperação do paciente ou em resposta equívoca. O reflexo de Babinski é desconfortável e um pouco doloroso para pacientes que têm sensibilidade alterada (disestesias) e muitas vezes farão uma retirada durante o teste.

O reflexo de Gordon é uma alternativa nestes casos porque os pacientes geralmente não são tão sensíveis na região da panturrilha.

CUIDADOS NA REALIZAÇÃO DO TESTE

Algumas contra-indicações para a realização do reflexo de Gordon incluem a presença de uma ferida aberta na panturrilha, suspeita ou confirmação de uma trombose venosa profundam, flogose em membro inferior ou mesmo edema frio como no caso da insuficiência cardíaca. Cuidado também deve ser tomado em pacientes com plaquetopenia sob risco de se desenvolver hematoma local.

TÉCNICA

Nenhum equipamento é necessário para realizar o teste reflexo de Gordon. No entanto, deve haver uma área onde o paciente pode confortavelmente ficar em decúbito dorsal com ambas as pernas estendidas enquanto o teste é realizado. O paciente deve estar sem vestimentas justas, de preferencia com um uniforme de exame clínico sem outros artigos de vestuário ou sapatos, pois as pernas precisam ser visíveis e expostas do joelho para baixo.

A prática e a experiência aumentam a probabilidade de se elicitar com precisão a resposta. O examinados deve lavar ou higienizar as mãos antes de realizar o teste. O examinador pode estar sentado ou de pé ao lado do paciente em uma posição confortável com a capacidade de alcançar a panturrilha enquanto observa a resposta nos dedos dos pés.

O examinador coloca então sua mão na panturrilha do paciente, depois levanta e apoia a perna com a outra mão na área do tornozelo. O examinador, em seguida, comprime firmemente o músculo da panturrilha enquanto monitora os quirodáctilos ipsilaterais. O reflexo de Gordon é positivo (ou anormal) se houver um reflexo plantar extensor. O reflexo pode ser elicitado quantas vezes for necessário, e como mostrado na figura acima, outros sucedâneos podem também ser pesquisados com objetivo de se confirma a resposta.

Autor

  • Médico Neurologista com forte background em Neurociências e Neuroemergencismo. Formado pela faculdade de medicina da UFMG, mestre em Neurociências pelo Núcleo de Neurociências da UFMG. Residência médica em Neurologia pelo Hospital Metropolitano Odilon Behrens. Membro da equipe de Neuroftalmologia da Santa Casa de Belo Horizonte onde realizou fellow na área. Ex-docente de cursos de graduação e pós-graduação em medicina e neuropsicologia. Cofundador e editor do Neurocurso.com

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