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Pacientes paralisados usam braço robótico controlado pela mente

A interação entre cérebro e máquinas é uma das áreas mais promissoras para a recuperação de pacientes com problemas de mobilidade, e os pesquisadores acabaram de dar mais um passo importante nessa direção.

Pacientes tetraplégicos conseguiram, apenas com o pensamento, controlar um braço robótico. Foi a primeira vez que a técnica foi aplicada com sucesso em humanos. O controle de membros virtuais já tinha sido feito por macacos – inclusive em uma pesquisa conduzida pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis.

O mais recente avanço, publicado nesta quarta-feira (16) pela revista científica “Nature”, é fruto do trabalho de uma equipe internacional de cientistas, liderada por Leigh Hochberg, ligado às universidades Brown e Harvard, ambas nos Estados Unidos.

O braço robótico, chamado de “BrainGate” (“portal do cérebro”, em inglês), é um exemplo do que os cientistas chamam de “interface cérebro-máquina”. Um pequeno sensor é colocado no cérebro, em uma parte conhecida como córtex motor, que coordena os movimentos. Os sinais elétricos enviados pelos neurônios são levados diretamente para o aparelho, que responde aos estímulos e se movimenta.

A tecnologia, que ainda está a anos de ser aplicada na prática por pacientes em geral, foi testada com sucesso em duas pessoas. Nesses testes, técnicos que elaboraram o projeto acompanharam o uso em condições controladas, e calibraram o braço robótico na casa dos pacientes.

Os primeiros pacientes a ter acesso à tecnologia foram um homem de 66 anos e uma mulher de 58. Os dois perderam os movimentos do corpo depois de sofrerem acidentes vasculares cerebrais (AVCs) – ela em 1996 e ele em 2006.

A paciente Cathi Hutchinson disse que não precisou se concentrar mais que o normal para controlar o braço robótico, que ela usou para trazer uma garrafa até a boca e beber de um canudo.

“Bem no começo, eu tive que me concentrar e focar nos músculos que usaria para fazer certas funções. O BrainGate me deu uma sensação natural e confortável, então me acostumei rapidamente à experiência”, afirmou.

Teoricamente, os avanços na área devem servir para pacientes paralisados por diferentes motivos, desde lesões na coluna a doenças degenerativas como a esclerose lateral amiotrófica.

de G1